Pássaros molhados não voam

O que não padece
Desaparece

Não há nada de tão absurdo que a rotina não torne totalmente aceitável. Parafraseando Erasmo eu reflito como a dor imobiliza e cega. Como erros ou insatisfações se alastram por anos simplesmente por não serem encarados. Não querer enxergar é estar cego.
Ela o ama, mas é casada com outro, há muito tempo. Há muito tempo ela não o ama, mas o tempo leva. Ela quer ficar com ele, mas o outro a ama muito, e ela não quer magoá-lo. E o tempo passa…

Ela chega em casa à noite e chora, e chora. Todas às noites são molhadas. Encharcadas pela agonia do passado, pelo receio do futuro, pela confusão do presente. E no latejar de gotas ela adormece, esquece-se, apaga-se… Entregando-se à imobilidade como pássaros embaixo da chuva a espera do sol, que nunca chega. A tempestade cai de dentro. E afunda-se no que hoje já é mar.

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