Dois de Copas

Talvez o erro esteja na infância. Crescemos aprendendo a pedir; choramos quando não sabíamos falar e momentaneamente conseguíamos uma chupeta, um seio farto de leite, uma atenção, um ninar… E assim nos condicionamos, e mesmo já adultos, choramos e exigimos que nos peguem no colo e nos acalmem; tudo o que quase sempre precisamos é isso: a segurança de braços em torno de nós, nos protegendo de um mundo ruim.

Fomos mimados demasiadamente, ou o contrário, somos uma geração abandonada, que suplica atenção e carinho. E assim, sufocamos um ao outro com nossas exigências e necessidades. Eu penso que deveria ser diferente, deveríamos oferecer antes de pedir. Afinal, parece-me estúpido o contrário, seria como assaltar um mendigo e depois se revoltar com os míseros centavos obtidos…

Somos responsáveis de qualquer maneira pelas nossas idas e permanências, mas temos a mania medíocre de querer subverter isso. Idealizamos oásis no deserto e fazemos disso uma razão. Não seria mais fácil procurar uma praia… Estamos sempre a sustentar algum tipo insustentável de perfeição. É difícil amar assim, e saber o que é amor ou o que queríamos que fosse.

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