Tempo Quabrado

Disseram-me que poderia ser os relógios quebrados na cozinha, o que não é plausível, pois estou naquela casa há 4 anos, e isso me acontece desde de sempre. Talvez seja o zodíaco, ou apenas algum defeito, uma deficiência… Eu não sei, nunca soube, nem o motivo e nem ao menos a solução. O tempo sempre me escorreu pelos dedos; eu sempre estou atrasada o suficiente, sem tempo o suficiente, atarefada o suficiente. O tempo sempre me faltou e hoje eu começo a perceber que simplesmente não possuo todo o tempo que necessito. E me indago o que fazer. Limitar-me? Negligenciando-me assim? Optar por certas coisas e desistir de outras? Há uma frase de Mario Quintana que sempre e sempre e todo o sempre me vem à flor da pele: “O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras”. E sempre e sempre e todo o sempre eu penso: Eu não me conformo. E nem aceito. Há tantas coisas que perdemos sem querer, involuntariamente, e me parece loucura perder por querer; por achar que não posso. Mesmo que não possa mesmo, não me interessa, eu quero a inocência e até a leviandade de achar que posso, e viver por isso. Quando a morte chegar eu não lamentarei de ter deixado para trás meus ideais, e não suplicarei uma segunda chance. Meus relógios podem estar sempre à minha frente, mas eu sei que para trás, eles não voltarão.

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