Em qualquer parte

Ainda há você, preenchendo o silêncio, esvaziando as canções, roubando os pensamentos. Nas minhas bandas preferidas, no vocalista que em cada trejeito me soa você. No aconchego do edredom ao deitar, na preguiça da manhã ao despertar. Na procura do consolo, na necessidade da partilha, no teatro de um diálogo. Na porta da minha casa, você chegando e antes de dizer qualquer coisa, me levantando do chão e me rodopiando no ar.

Ainda há você em qualquer parte mal entendida minha. Qualquer esperança ou descrença. Qualquer força ou fraqueza. E quando me flagro pensando em tudo isso, rio de mim mesma, numa autopiedade forjada de repreendimento.

Ainda há você preenchendo o vazio de minha mente e de meu peito. Às vezes penso, desesperadamente, em quando irei te substituir afinal; substituir todo este abstrato por algo concreto. Mas talvez goste dessa falta de forma que tu me proporcionas, algo que me permite moldar da maneira que eu queira. Aí já não sei quem é você ou quem eu apenas gostaria que fosse – que me fosse. Mas de toda ou qualquer maneira, você me é uma poesia bonita. E possuindo consciência de toda sua subjetividade, eu não preciso me importar com sua realidade – nem a totalidade da minha que ela habita. Ainda.

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