Labirinto de Creta

Eram 7:00 quando acordei. Tomei café da manhã e me pus à escrivaninha com os livros abertos para estudar, mas isto, nem comecei a fazer. Fiquei das 8 da manhã até às 19:30 pairada sobre a cadeira na frente desta escrivaninha, tomada por uma espécie de transe partida de meus pensamentos e da aflição dos sentimentos submergidos por eles. Levantei da cadeira duas vezes, uma para atender o correio, a outra para ir almoçar. No final disso, liguei para minha mãe e fiz algo que creio nunca ter feito; desabafar com ela, e simultaneamente, soluçar feito uma criança. Nunca fui de partilhar meus problemas, já os remoo o suficiente comigo só. Mas naquele momento, ou eu os jorrava para fora, ou me afogaria.

Deste que voltei para São Paulo, após o acidente, estou assim, me vasculhando por completo; cada célula, cada buraco, cada espaço … E isso se totalizou numa absoluta angústia e ansiedade. Me sinto alimentando os meus demônios, devidamente presos na gaiola a qual os coloquei.

Sempre é difícil lhe dar com o futuro, com suas possibilidades e fatalidades. Nos limitamos numa plena contradição; podemos escolher o caminho, mas não podemos saber aonde afinal ele nos levará. E nos desolamos ao especular isto, tentando inutilmente prever resultados e evitar erros. O desespero está aí, na responsabilidade de se fazer o caminho, ou na displicência do mesmo.

Às vezes, por receio de tomar o rumo errado, preferimos não tomar rumo algum. Acabamos esperando que a vida siga seu próprio fluxo e nos leve “aonde tem que nos levar”. É mais simples. Quando se não se saber para aonde ir, qualquer lugar é um lugar. Bem, não creio que o medo do incerto e do fracasso deva nos imobilizar de tal forma. Mais do que esperar, é necessário ir ao encontro; o amanhã é uma sequência de hojes, uma soma, um resultado; como a colheita de agora que fora apenas a semente de outrora. Lembrei me agora de um professor dizendo que os erros não acontecem para nos perder, mas sim, para nos achar, pois redirecionam o caminho. O problema é que somos positivistas por natureza; se importamos muito com o que possamos querer e fugimos com veemência do que afinal, possamos não querer. Talvez, ambas coisas se encontrem numa mesma linha, em seus extremos, e talvez, só se possa reconhecer uma ponta após ter conhecido outra…

Caminante, no hay caminho. Pero el caminho se hace al andar”. Antonio Machado

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