Labirinto de Creta II

Se por um lado creio estar desperdiçando oportunidades e privilégios, por um outro, receio me limitar-se a estes, os usando de encosto. O luxo da escolha acaba por totalizar-se num fardo, num martírio. Quando todas as portas estão fechadas, não há o que especular, há apenas que continuar; mas quando possuímos as chaves, a ganância da descoberta nos acarreta, e a incerteza do desconhecido nos imobiliza. Entre a decisão e a ação, acabamos pairando entre corredores, totalmente perdidos.

Eu costumava achar que nenhuma escolha era irreversível , mas o que descobri foi que é muito fácil ir e muito difícil voltar. Os retornos costumam estar distantes, requer muito tempo para se chegar até eles. E quando mais vivemos, mais o tempo parece nos ultrapassar. E a cada ultrapassada, este também parece empurrar areia aos nossos pés, tornando o caminho mais e mais lento.

Se por um lado eu creio que precise pensar no futuro e ter paciência com minhas metas a longo prazo, por outro eu receio estar usando o amanhã como uma justificativa para não ter o hoje. Não sei até que ponto devo querer construir um castelo ou arrumar uma cabana na beira mar.

Hoje, eu estou vagando neste corredor, entre portar maciças que não transparecem o outro lado. E não posso ficar neste limbo, esperando que a vida me espere. Preciso urgentemente me decidir, e a dúvida sobreposta à ampulheta me desespera e me sufoca. Mas aí penso que, na verdade, estou anos neste mesmo corredor, quebrando as mesmas ampulhetas e protelando os mesmos passos…

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