Samsara

…mas, não é exatamente errar que receio; é errar os mesmos erros, regredindo e estagnando. Por que às vezes, percebo claramente a ação desta máquina do tempo sobre mim, e as lacunas que me resignei. Outras vezes, isso é tão imperceptível como respirar. O que tenho pavor é de não poder tomar as rédeas; em vez de guiar, ser arrastada – arrastada por alguma parte de mim que desconheço.

Hoje é um daqueles tempos que tudo é pesado o bastante; ou os ombros fracos o bastante. Pensar em fazer as malas, encaixotar os pertences, desmontar os móveis e sair por aí com todo o meu fragmento de mundo preso ao calcanhar, procurando direções e seguindo estrelas… Pensar nisto me faz apoiar a testa sobre a mão, acalcando os olhos num suspiro cansado.

Sinto-me pessimista em grande parte do tempo, talvez até mesmo niilista, como se toda as estradas que se desenrolam aos meus pés não fossem capaz de me levar para lugar algum. É apenas natureza morta que serve de base para um espirito vivo. Nenhum caminho me levará. Sou eu que tenho que os levar. E isso parece cada vez mais difícil e vago de se tornar suficiente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s