Vidas

Neste final de semana, um casal de amigos me contaram que está em seus planos, dentro de alguns anos, se mudar para uma cidadezinha turística em Minas Gerais. Ambos estão fazendo graduação e pensam em realizar a mudança após se formarem. Só que provavelmente lá, não irão trabalhar em suas áreas. Uma outra amiga acaba de voltar de SC, aonde foi morar logo após ter concluído o segundo grau. O motivo foi o seu namorado, com quem mais tarde se casou. Morava com ele e seus sogros num vilarejo. Tudo o que tinha que ser feito era necessário se deslocar para alguma cidade vizinha, e mesmo nestas, não havia variadas opções de estudo ou carreira. Tenho uma prima que há muitos anos está na Espanha. Muito nova deixou os pais, os amigos, estudo, profissão, para se aventurar como indigente na Europa. Teve que arrumar dois empregos, um como garçonete e outro como empregada, e assim foi se virando. Minha prima tinha plena consciência de sua escolha e de seus sacrifícios, assim como minha amiga quando decidiu morar com o namorado, e assim como o casal que planeja ir para os confins de MG. E também assim como eu, quando vim para esta São Paulo trabalhar como vendedora numa lojinha do centro.

Hoje, eu estou saindo desta cidade e voltando para aonde vim. Assim como minha amiga também voltou, logo após ter se divorciado. Já minha prima está muito bem e realizada na Espanha, mas talvez um dia se descontente e volte, ou talvez, nunca mais volte. E talvez minha amiga e seu namorado se realizem abrindo uma pousada nas montanhas, ou não. Talvez eles achem aquela vida vazia e insuficiente. Talvez…

Estamos cercados por incertezas. Quando nos tornamos adultos, nos esbarramos com o peso da responsabilidade que muitas vezes parece estar ao avesso da felicidade, e o que todos nós buscamos é unir ambas coisas. Não há como saber se vai dar certo, se é incoerência, loucura, insensatez, impulso; nunca saberemos. Eu só consigo ter uma certeza no meio de tantas dúvidas; se não tentarmos, nunca descobriremos. O fracasso não está em errar, está em temer; temer a vida, a nossa vida. Cada ser humano é um ser único, com seus sonhos, superações, necessidades e ambições. Não podemos julgar vidas alheias nos ponderando em valores pessoais. Assim como não podemos nos delimitar entre valores alheios. Possuímos moedas distintas que apenas são válidas debaixo de nossos pés.

Talvez nossos passos nos levem a solos inférteis, ou nos surpreendam com jazidas. E como diz o poema, temos que estar dispostos a ver algumas tempestades, se queremos enxergar algum arco-íris.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s