Novelas e Novelos

Final de semana passado fui ver casas em Araraquara, minha cidade natal aonde vou voltar a viver. Chegando lá, após ir ver uma casa e ter prontamente decidido dar entrada no processo de locação, enlouqueci. Inicialmente pensei estar passando mal devido a alta temperatura que já há tempos não estava acostumada, e também por ter viajado de madrugada e estar sem dormir. Mas não, aquilo apenas era luz entrando em pupilas embernadas. Todo o meu desespero e desamparo eram apenas a visão da realidade, sem qualquer véu ou cortina.

Eu apenas chorava entre o martírios de vãs tentativas de achar uma outra saída, ou qualquer fuga. Na manhã seguinte peguei minhas coisas e fui embora para São Paulo. Mas não cheguei se quer a metade do caminho. No início da estrada meu carro quebrou e passei o resto da manhã na pista tentando conseguir ajuda.

Foram 7 horas parada na pista que pareceram 70 horas. E no decorrer deste tempo refleti muito, e conclui que aquilo era um problema. O resto, era falta de problema. Apenas um mescla de idealizações colididas com ilusões.

Eu vejo que vivemos grande parte de nossas vidas nos distraindo, postergando decisões e negligenciando ações. E assim, perdemos a capacidade de resolução. Quando conseguimos abrir os olhos, a visão falha, e então, nos deparamos com a dificuldade de distinguir o que é a realidade e o que é imaginação. A maior parte de nossas dificuldades e adversidades estão na imaginação. Perdemos as rédeas de nossos medos e desejos, e até mesmo, perdemos a definição do que é um ou outro.

Há muita tragédia no mundo para nos prendermos a nossos dramas. Há muito mundo para nos prendermos a nos mesmos.

Há uma trecho do livro “A Idade da razão” de Sartre que falou muito alto comigo nesta semana:”Sua decadência, suas lamentações; eram mentiras. Vazio. Ele se empurrava para o vácuo, à superfície de si mesmo, para fugir à pressão insustentável se seu mundo verdadeiro.”

Nos apegamos a mediocridade para protelar a severidade. Assim, nos limitamos com muralhas de ar. Na maior parte do tempos estamos assim, distraídos, tentando não pensar, que ao invés da espera, se encontra o conformismo. E ao invés do tufão, se encontra o voar de borboletas…

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