Velas

A luz estava acessa e acordei com os olhos ardendo, eram uma da manhã, tinha me deitado às duas da tarde. A varanda estava aberta, a fechei, apaguei a luz e voltei a dormir. Não estava com sono, mas estava cansada demais para fazer qualquer coisa, ou coisa alguma. De momentos em momentos abria os olhos e imagens do dia anterior me vinham a cabeça, de uma maneira conturbada na qual não conseguia distinguir o que era sonho ou o que era só pesadelo. Já eram dez da manhã e me forcei a sair da cama.

Não estava triste, nem raivosa, nem nada. Havia apenas o vazio e suas tantas perceptivas de preenchimento. O dia se desenrolava aos meus pés, e eu o observava como telespectadora, não personagem. Há tempos desgraças não me afetam mais, nem o contrário. E eu me sentia bem dentro daquelas paredes. Lá fora um dia quente se prolongava, suas ruas imundas, suas pessoas insanas, sua marginalidade sonegada.

E aqui dentro estou escondida, deles e de mim.

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