Part(e)ida

Não ouso pensar nos meus pensamentos. Passo por eles reto e os deixo seguirem, aonde é que devam seguir. É como tintas numa paleta, quando há muitos tons, a junção destes se torna inevitável e desintencional, se totalizando numa espécie de cinza colorido. Há tantas cores, que cor alguma se vê.

De súbito me lembrei de minha antiga mestra. Uma vez a questionei sobre algo que estava estudando e como que aquilo poderia ter tantas diferentes explicações em tantas diferentes fontes. E ela disse: “Você tem que escolher em quê acreditar e acreditar nisso. Há vários caminhos levando para uma mesmo lugar, mas por diferentes meios.”

Precisamos escolher uma direção e segui-la, mas nunca teremos total convicção sobre isto, pois não conseguimos enxergar além dos horizontes. E esta insegurança nos dá o receio de que um outro caminho é que seja o correto. Creio que na maior parte das vezes, não há o correto ou o errado num termo futuro, pois somos nos que estruturamo isso.

Algumas vozes gritam aqui. Outras lamentam; soluçam, sussurram… Algumas são eloquentes, quase efusivas, sonhadoras; me contam seus planos, desejos, deslumbres… Algumas quase não se ouvem; são caladas, se entre olham, e se perdem… Eu ouço este coral enquanto faço malas, fechos caixas e me despeço desta vida… Enquanto acredito numa outra.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s