Como Insetos em volta da lâmpada

Em um mês cheguei a quase adotar um filhote de gato duas vezes. E este quase significa escolher o filhote, comprar todas as suas coisas e no último momento, não pegar o filhote e doar seus futuros pertences. A mudança repentina não foi de ideia, mas de visão. O fato foi; eu já sabia que não poderia ter um animal, passo noite e dia fora, moro sozinha e jamais teria coragem de deixar um animalzinho jogado e trancado numa casa. E não possuo condições financeiras para adotar dois bichanos para assim, um fazer companhia ao outro. No ademais, meus planos de permanência nesta cidade são de curto prazo, e meus passos se movem ao encontro de um lugar irresoluto, que só se delineia aos contornos imaginários de minha mente. Mesmo tendo plena consciência de minha total falta de condição e responsabilidade para ter um gato, fui – duas vezes – ao encontro do contrário.

Com este exemplo e com tantos outros, analiso como nosso eu é omitido pelo nosso ego, e este, emergido de uma mente desgovernada, iludida; que necessita de enfeites para cobrir a falta, a dor, as tantas manchas de sangue sobre os carpetes – e embaixo deles.

Estamos subindo uma pirâmide, o topo está muito alto, as laterais são estreitas e a vista turva. Então, olhamos para o chão, para o umbigo e perdemos o equilíbrio. Talvez, tudo o que queremos naquele momento é descansar um pouco, observar o voo de algum pássaro e respirar aquela sutileza. Mas aí, o esgotamento sussurra algo aos ouvidos: “E se você pudesse ser aquele pássaro? Já pensou nisso?! Talvez se o seguir, ele te conte como fazer isso…”. Ao ouvir este impulso nos soltamos, e ao invés de voar, caímos. Perdendo tempo e forças.

A maioria das falhas submerge da perda de fé com si próprio. Fé sem culto é poesia. Culto, é a disciplina exercida naquilo em que acreditamos nos levar a um bem maior.

O caminho é quase escuro, a luz própria parece não iluminar e tão cansados, procuramos ajuda externa. Qualquer ajuda. Qualquer luz. Qualquer liberdade que nos tranque.

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