Tempestade à beira mar

Toda alegria se transformou em dor. Toda dor em doença.

O mal não foi você ou eu. Foram os dois juntos e a adversa circunstância que circundamos. Mas como parece errado isso, colocar um ponto após um porém, onde deveria haver uma vírgula e uma suposta continuação. Uma outra suposta continuação… E foram estas tantas suposições que me impediram de supor qualquer futuro ao seu lado. É esta é a dor. A incessável dor: de você eu só tenho lembrança, espera e olhos vendados.

Sinto-me construindo um castelo de areia a beira mar e, piamente, tentando me distrair com a brisa do oceano para assim, não pensar no depois, quando a maré levantar e tudo desmanchar. Mas num segundo meus olhos se perdem no horizonte e num lamento desabo: Aonde está o nosso horizonte? E tudo isso parece inútil, insuficiente, insustentável… Mas você está lá, tão sereno, aconchegado numa cadeira sob o sol, um tanto dormente. Você me olha e com um sorriso doce estende a mão me chamando para perto.

Meu martírio é seu avesso. Minha maré se desmancha aos seus pés. Eu já não possuo forças para me levantar, mas você se levanta, senta atrás de mim, me envolve com suas pernas e me abraça forte. Neste momento começa a chover forte e eu já não sei mais da onde vem a água.

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