O Universo não precisa de mais uma Miss

A constante afirmação de aparência que é firmado o universo feminino. Desde o ensino fundamental com seu inocente “Miss Juvenil” ao polêmico “Miss Bixete”; passando pelos tradicionais concursos de toda feirinha rural, time de esporte, clube ou qualquer meio que possibilite uma eleição; até os grandes títulos de representante da beleza local. Além das disputas explicitas, a latejante disputa impostas pela mídia, representando o feminino com suas mulheres esculturalmente artificiais e as afirmando com ideal. E estas, quase sempre expondo um estereótipo de beleza gringa, estereótipo cuja própria indústria de moda nacional se baseia para nos representar.

Na minha puberdade até os meados de minha adolescência, eu era participante de carteirinha desses concursos de beleza. Ia até mais além, fazia parte de todas as agências de modelo de minha cidade e da região. Eu também queria ser bonita. A mais bonita. E hoje, agradeço de joelhos a minha consciência por ter entrado nisso tão cedo e saído antes que fosse tarde demais.

O que prioritariamente me preocupa são nossas crianças, crescendo no meio desta tão mísera e farta demanda. Exemplando as atuais e tão presentes redes sociais, imagino uma garota de 10 anos se deparando com as intermináveis páginas do facebook que “divulgam” a beleza da mulher: “As loiras mais gatas”, “As ruivas de SP”, “As mais sexys rockeiras”, “As Tchutchucas do funk”… Esta jovem, em busca de aceitação – e valorização – irá acreditar que precisa ser como as mulheres conceituadas pelo grande público são: lindas, magras e sensuais. E não conseguindo se encaixar nos ditos padrões, irá desenvolver uma autoestima flagelada; a qual pode resultar graves problemas de saúde. Com toda certeza, se alguém chamar uma adolescente de burra, isso não ofenderá tanto a ela quanto ser chamada de feia. O orgulho feminino foi escravizado em sua aparência. Sua fragilidade é este orgulho ferido.

Não estou falando como feminista, mas como humanista. Qualquer adulto sabe que as aparências de nada valem. Pouquíssimos entendem. Eu defendo que antes de tentarmos ser normais, deveríamos tentar ser excepcionais. O senso comum é formado pela grande massa, que sem senso crítico, precisa ser governada, e sem competência, precisa ser conformada. Não há prestigio nenhum em seguir qualquer ideal pertencente a um grupo como este, a uma sociedade como esta.

Não, o universo não precisa de mais uma Miss. Ele precisa de mais conteúdo e menos vazio.

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