Invisível aos Olhos

Toda matéria é constituída por átomos. Invisíveis átomos que juntos e moldados, tornam-se palpáveis. Tornam-se qualquer coisa. Assim como qualquer matéria desmanchada se totaliza num nada, em dispersos fragmentos. Inúteis em seu desolamento. Oníricos.

A consciência aprisiona o inconsciente. A consciente é superficial, lisa, escorregadia. O inconsciente é um senhor apático, áspero e rabugento. É preciso impressioná-lo para ganhar sua confiança, e isso não é fácil. Conversar com ele não é fácil. Por isso nos limitamos à dada e instável consciência. Cortesã dissimulada e doce. Leviana.

Eu não me lembro sobre o que conversávamos naquela tarde de tantos anos atrás, mas lembro-me de meus intermináveis questionamentos. Havia tantas vertentes, tantas diferentes explicações para um mesmo assunto. E elas se contradiziam! Elas sempre se contradizem. Então, a questionei sobre isso. No quê afinal acreditar. E como se fosse a maior lógica existente, ela disse: “- No que você quiser acreditar.” Esta cena despertou aquele senhor rabugento, falando alto com ele. E ele nunca mais esqueceu. Eu sempre esqueço. Ele sempre me lembra.

A realidade é sempre onírica. Dispersos fragmentos, os quais nós, somos a única junção; a tênue linha entre a ilusão e a verdade. É impossível testar as resistências que nos sustentam desmontando-as. Apenas iremos cair e nos deparar com destroços provenientes de nossas próprias mãos. Nossas resistências precisam de peso para que possamos ver se são suficientemente fortes, se suas bases são suficientemente concretas. Mas é sempre mais fácil desmanchar do que acrescentar.

Minha vida tem sido uma dissolução. Um pleno questionamento que desintegrara qualquer paz. Eu não sei se é necessário crer para ver, mas é necessário crer para continuar. E por achar mentira em qualquer verdade, eu parei. E fiquei. Este período neste vácuo não é em vão – se eu não quiser que seja. Eu não tenho nada para me agarrar aqui, nada para me esconder. Aqui só estou, em pedaços. É se desfazendo que a gente se molda. Deixando aquilo que não serve mais para buscaraquilo que se precisa. Este período aqui não é em vão. Eu acredito nisso. Eu acredito estar num casulo e não num buraco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s