A eminência de ser que leva à iminência de transcender

Em 2013 comecei, verdadeiramente, a estudar música. Propus-me a isso apenas quando resolvi que queria prestar licenciatura. Inicialmente, logo quando comecei a estudar, eu me frustrei e desanimei muito, enxergando o quanto era leiga e percebendo o quão distante estava de possuir o conhecimento necessário para entrar numa faculdade de música. Senti-me totalmente ingênua e prepotente. Mas, depois de muitas noites em claro, acabei por ver como estava sendo ridícula. Estava me concentrando no resultado e não em sua obtenção. Como se fosse possível ter colheita sem plantação. Estava buscando o futuro e abstraindo o presente. Decidi por fim que simplesmente iria estudar música, pois era exatamente isso que eu queria. Independente da onde poderia chegar, era sobre isso que eu queria caminhar. A ideia de cursar uma faculdade surgiu daí, da vontade de me aprofundar em algo que tanto amo e me guio. Então, fiz do hoje uma meta e não do amanhã. Decidi que o metrônomo eu apenas usaria em minhas lições de música e não na minha vida.

Foi um ano de muito estudo, choro, paixão, descoberta e primordialmente vontade; vontade de continuar, simplesmente continuar. Quando por fim prestei a prova específica, fiquei muito contente com o desempenho. A prova fora minuciosa e não tive grande dificuldade. Foi com grande alegria que enxerguei o meu nome na lista de aprovação para a segunda fase. Isso foi um grande impulso para mim, independente do resultado final. O que importa é essa sensação de prazer com o que se está fazendo. Por onde se está indo e não para onde. Tenho certeza que a vida é curta demais para nos focarmos em finais. Talvez eles jamais cheguem. Em 2012, quando sofri o acidente, a primeira coisa que me veio à mente no hospital foi como sempre quis estudar música e como sempre posterguei isso. Por tão pouco não morri, e se tivesse morrido, e se houvesse uma consciência após isso, eu me entristeceria muito. Creio que apenas o momento nos seja pertencente. É um dever fazer o melhor que pudermos com este. Fazer o que mais quisermos. Afinal, se tornar é uma mera consequência. Ser é uma ação.

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