Céu à milhas de minha porta

Eu te vejo como uma estrela. Você já se foi, mas a luz continua. Podemos não ser o que fomos, e talvez, ou provavelmente, jamais seremos. Mas fomos. Podemos não ser nada. Mas fomos. Para mim você está lá; longe, inatingível, pertencente a uma outra dimensão, a um outro tempo; mas pertencente. Eu não acho que o presente seja uma espécie de borracha sobre o passado. Ele pode subverter, transformar, distorcer, mas apagar; não, apagar não. O seu rastro ficou. Sempre ficará. Refletido em meus olhos, sedimentado em minha pele. Eu te coloquei no céu. Você me enterrou na terra.

Seu oblívio. Sua indiferença. Seus motivos. Ah, eu tento compreender. E se não compreendo, respeito. Como tudo em minha vida, eu tentei converter a dor em crescimento. E converti. Confesso, com orgulho ferido, que me sinto é culpada. É exatamente a conotação desta culpa, o reconhecimento desta, que me fez amadurecer tanto em relação a tudo. Mas, na ambiguidade perpétua da vida, é exatamente esta culpa que me machuca tanto. Ainda. Não vejo e nem nunca verei que “as coisas são como devem ser”. As coisas são como nós as fizemos. Nós nos matamos. E não há nada que eu possa fazer para te trazer de volta. Você já não existe mais. Isto aqui é um monólogo. De você só me resta a lembrança e uma saudade que não passa nunca. Mas vai passar, a saudade, já a lembrança… Eu não deixo. A lembrança faz parte de minha luz.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s