Espalho coisas sobre o chão de giz

Todas as luzes acesas, todas as gavetas abertas. Caixas de papelão, malas e mochilas, meus instrumentos, rodas de meu carro, rabiscos num pedaço de papel que me servirá como guia – ou deveria. Entre tantas outras coisas.

Sinto-me num envolto negro. Numa pequena sala iluminada dentro de uma caixa escura. Posso imaginar o que virá depois, desejar, idealizar, mas saber… Não. O futuro é um espaço vazio. Inexistente. Meus sonhos, minhas frustrações, estas permutações. O que virá amanhã, onde estarei? Quem encontrarei? Eu não sei. E é exatamente esta incógnita, esta curiosidade, esta possibilidade; que me faz querer partir. Nesta luz tudo eu vejo. E isso me cega. Eu quero enxergar tudo aquilo que eu não posso ver. Eu quero ir atrás de novas vistas para conseguir novas visões. Quero enxergar além destas pardas paredes, além destas cobertas convicções. Quero pisar sobre algo menos concreto e mais livre que este imóvel chão. Por isso, estou indo embora.

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