à Deriva

A lei do eterno retorno. Talvez seja este o meu maior medo. Engolir minha própria calda e acreditar que assim estou indo a diante. Mas só estou repetindo passos iguais em tempos diferentes. A ordem dos fatores não altera o produto. E quase sempre buscamos resultando diferentes usando sentenças iguais. Porque não percebemos. Quais são os fatores afinal? Por que eles são tão calados e miúdos? É difícil identificá-los assim. É difícil apalpá-los. Eles escorrem pelos dedos. Em silêncio. Eu quero discernimento. Alguma lanterna que me faça enxergar por dentro. Se a gente não sabe onde pisa, a gente não sabe para onde vai.

Foram duas mudanças em um ano. Foram quatro cidades em seis anos. E sinto que todo este passado não serviu para edificar qualquer futuro. Foi só tempo que se foi. Não em vão, mas em nuvens. É como se eu vivesse tudo pela primeira vez. Não há treino, não há esboço, não há lápis ou borracha. As cortinas se abrem e não houve ensaio. “Poder viver apenas uma vida é como não viver nunca”. A fugacidade nos rouba a consciência do presente; quando o percebemos, ele já passou. Nossos olhos foram adaptados a ver somente o que “passa” diante de nós. Como evitar o erro então? Como identificá-lo? Como quebrar o círculo? Quando consigo distinguir onde estou, eu já fui embora.

Eu não aceito. Eu não aceito. Eu quero ser livre. Livre de de mim. Então vivo no desespero das horas, à deriva da procura da mais afiada ferramenta, que me corte e me liberte.

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