E o que você veio fazer em Curitiba?

É sempre o mesmo diálogo, acompanhado pelo mesmo gaguejo, acompanhado pelo mesmo sorriso amarelo, acompanhado pela mesma falta do que dizer…

– E o que você veio fazer em Curitiba?
– Ah… Eu… Eu vim viver aqui.
– Mas você veio trabalhar ou estudar?
– Ah… Os dois… Os dois.
– E onde você está trabalhando e estudando?
– Ééé… Eu acabei de chegar aqui… Eu ainda… não tenho… arranjei…. nada.
– Ah! Mas você tem família, namorado aqui?
– Não… Eu não tenho ninguém aqui. Vim sozinha mesmo.
– Então você veio na loka! haha
– (risos) É… Algo do tipo.
– Você é corajosa!
– Ah… (risos) não é nada demais.

Se eu fosse alguém do tipo extrovertido e loquaz, daqueles que subitamente desenvolvem uma conversa íntima com qualquer estranho; falaria que coragem para aguentar as incertezas não me é problema. O que temo são as certezas. Confinadas como prisões.

A vida sempre me pareceu estar além dos horizontes, por trás dos muros, das seguranças, das definições, das lógicas, das explicações. Eu não sei o que eu vim fazer aqui. E exatamente por isso, eu vim.

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