Alvenaria

Quando eu me mudei para Araraquara meu pai deve ter achado que eu era retardada. Qualquer mísero prego que precisava pregar o chamava. Usava a desculpa que não tinha força, que era péssima para serviços manuais; iria sair torto, feio, errado. E honrando o seu pai de super pai ele ia, sem reclamar ou questionar como eu não sabia fazer tal coisa. Agora, ele não está por perto e agradeço por outrora tê-lo chamado, pois a cada martelada, parafusada, estrondo de furadeira; me vem sua lembrança, sua voz, seu sermão: “Aline, tem que medir, não pode fazer assim de qualquer jeito!” Aí eu paro e meço, do jeito que o Sr. Engenheiro me ensinou, para ver se assim prolongo a memória e concretizo um pouco mais sua presença.

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