Um pedaço de trapo chamado Bolsa estampado Família

Av. Paulista – São Paulo – 16h

Entro numa loja de telefonia celular, dirijo-me ao caixa, uma menina vestindo trapos também entra e começa a pedir esmolas. O segurança se aproxima para afugentá-la, um cliente faz sinal para esperar e chama a garota:

– Quantos anos você tem?
– 11
– Da onde veio?
– Piauí
– Há quanto tempo está aqui?
– Chegamo ontem.
– Veio com quem?
– Minha mãe, meu tio, meus irmão.
– E onde estão dormindo?
(silêncio)

Ele abre a carteira e a dá uma nota de 5 reais. A menina agradece e se vai. Neste momento, dois pensamentos confrontaram-me: o primeiro de reprovação; este cidadão está condicionando e incentivando mais um de tantos casos de exploração infantil através de mendigação. Mais propriamente: está condicionando e incentivando a família desta menina a se usufruir disso como meio de sobrevivência. Mas por outro lado, se não fosse esta esmola e tantas outras conseguidas naquele dia; como aquelas pessoas iriam comer? Eles acabaram de chegar, talvez não tenham ninguém na cidade… Comida não cai do céu. E nem brota no chão do Sertão.

Dar esmolas não tira ninguém da miséria, mas o que tira? Emprego? Em médio prazo sim, mas até lá 16 milhões de brasileiro já terão morrido. Este é o estimado número de brasileiros que se encontram em estado de extrema pobreza. Outra questão: O nordeste possui o registro de 910 municípios em estados de emergência, tomados pela seca e portando os piores índices de desenvolvimento humano. Como gerar emprego? Como reverter este quadro? Não é simples, não é rápido. Enquanto isso, pessoas não podem e não devem morrer de fome.

Países desenvolvidos possuem os mais diversos programas assistenciais a sua população: kit maternidade, kit inverno, bolsa babá, bolsa moradia estudantil… Enquanto isso, no Brasil, a dita bolsa família é apedrejada por tentar amenizar o quadro de miséria de sua população. É o povo brasileiro contra o seu próprio povo. Esta não é uma questão política, é uma questão humana. Um governo não pode deixar um cidadão sem teto ou comida. Na verdade, o programa bolsa família não é um terço do que a população brasileira necessita. O Brasil não oferece assistência a sua população. Nossos impostos são corroídos e revertidos em verdadeiras esmolas; o que além de não resolver nosso problema acaba condicionando a marginalização de uma população carente e desesperada. Se revoltar contra o mínimo que o governo pode e deve fazer é ignorância. É alienação. Enquanto não retificarmos a base de nossa pirâmide, nada poderá ser estruturado neste pedaço de terra chamado país.

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