Repúdio ao Platônico

Prazer,
Eu não sou uma foto. Eu não sou um texto. Eu não sou uma música. Eu não sou a minha criação. E nem minha exposição. Meu forjamento. Sou profundidade. Complexidade. Contradição. E não superfície. Planície. Obviedade. Tão pouco idealização. Manipulação.
Sou uma humana qualquer, uma desconhecida na rua. Sou um amontoado edificado por defeitos e qualidades. Um esparramado de pecados e súplicas. E nada disso te significa coisa alguma. Como significa para mim.
Sou vazio e continuarei sendo até que me apalpe. Até que me sinta e me conduza para dentro de teu limite. Preenchendo-me. Despindo-me. Mutuamente.
Antes, agora, não sou nada do que você espera ou queira. Não sou paixão inventada. Nem carência asfixiada.
Sou concretude e não imaginação. Não sou líquido que se transforma na forma colocada. Sou dureza de ossos, avareza de carne. Não me considere em vão. Eu não sou porque queres que eu seja. E nem serei.
O prazer é todo seu, uma masturbação em uma única mão.

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