Presentes e Presenças

(No caixa do supermercado)

– Tome filha, 1 real de troco para você colocar na maquininha.
– Ahhh obrigada mãe!!!

A menina com os seus 7 anos saltita até a arcaica gerigonça, coloca a moedinha no vão e gira a roleta. Olha para mãe ansiosa e solta um risinho abafado. O brinquedinho desce. Ela pega a pequena bolinha de plástico e a abre.

– Mãe, mãe! Um sapinho! Um sapinho azul! Olha que lindo!
– Sim, lindo filha.
– E bem na minha cor favorita mãe!
– É filha, estava com sorte.

Em uma vida onde crianças exigem tablets e iPhones, é impossível não se enternecer com a humildade e alegria de uma menininha com seu repentino presente de 2 cm. Esta grande pequena sabe o valor das coisas.

Costumo dizer que se um dia for mãe, filho meu ganhará presente em duas circunstâncias: em seu aniversário e casualmente quando eu me deparar com algo que o lembre. Em ambas situações será “de surpresa”. Se ele quiser algo, terá que comprar por si próprio através de sua mesada. Uma bicicleta custa quanto? Quantas mesadas você precisará ajuntar para comprar uma? Irá demorar 6 meses para conseguir? 6 meses passam voando querido! E quando você finalmente conseguir comprar, irá pular de alegria e se sentir realizado. Se eu lhe desse a tal bicicleta, de mãos beijadas, todo este valor se esvairia. Seria apenas um objeto comprado, e não um sonho concretizado.

No natal, ensinaria que o significado desta época é a união, assim surgiu a necessidade de demostrar o valor das pessoas que gostamos com presentes. Mas isto vem sendo muito distorcido meu filho, natal se transformou em comércio. Em capitalismo! As pessoas esquecem que o importante não é a ceia que está na mesa ou os presentes embaixo da árvore; o importante é o momento da partilha e sua confraternização. Por isso, não vamos ter presentes comprados no natal. Vamos fazer nossos próprios presentes! Cartolinas, tintas, tesoura e cola, flores secas, lantejoulas… É tudo o que precisamos para fazer os melhores presentes do mundo.

Eu já avisei tudo isso à minha família. Não quero ninguém perguntando a filho meu “O que você quer de presente?”. Não! Minha irmã muito se revolta, principalmente pelo natal: “Ele verá os amiguinhos ganhando presentes e ele… Um cartão?!” Sim. Quero ensiná-lo que o valor está na atitude e no sentimento; não no materialismo. E minha irmã bufa e diz que eu serei uma mãe malvada. Já a minha mãe diz que dará sim presente ao neto dela e não quer nem saber. Meu pai neste momento entra na cozinha: “Vocês estão discutindo como educar o filho da Aline?! Mas nem namorado ela tem!” E rimos até doer a barriga.
Mais uma vez descubro que o maior presente é essa presença.

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