Enterrada Viva

Hoje é o seu aniversário, e se eu pudesse… Te daria um sorriso costurado na pele. Te devolveria a alegria e levaria a desistência, a impotência de respirar depois da morte. Eu te ressuscitaria. Te devolveria seu marido, seu filho, seus pais, seus irmãos, seus amigos. Emendaria suas partes, estancaria seu peito, inflaria seu ar.

Você é a minha mãe, minha avó, minha alma gêmea, minha criança, minha sacerdotisa. E o que eu faço meu amor com essa tua morte em vida? O que eu faço? O que eu posso fazer? Eu faço um bolo, eu acendo velas, eu monto um buquê, eu encho bexigas, eu escrevo poema. Mas você é um oceano. E eu não alcanço a profundeza da tua dor. A vastidão da loucura de morrer e continuar a viver.

Se eu pudesse vó, e mesmo não podendo, eu continuo aqui; insistindo em dar-lhe vida debaixo desta terra. O amor desconhece mortalidade. Eu estou aqui vó. Eu sempre estarei aqui.

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