Meu problema com o Facebook. Meu problema com a vida

Há coisas que controlamos. Há coisas que nos controlam. Há níveis conscientes de percepção que permitem a possibilidade da ação. Há níveis inconscientes que não conseguimos conotar e assim transmutar. Ambas as circunstâncias, voluntárias e involuntárias, exigem grande carga de esforços.

Se quisermos transcender nossas vidas direcionando-a rumo à nossas vontades, precisamos trabalhar duro. Não exatamente ir contra o tempo, mas nos unir a ele. Não gastar tempo, mas usar o tempo. O que mais vejo são pessoas que possuem planos exclusivamente e unicamente no papel. Eles querem e só. Apenas querem. Em vez de ações, usam desculpas e postergações. Mas o mais grave neste processo mental é seu sistema parasita de infiltração. Não é direto, não é notável; é quase sem-querer. Sem perceber. Sem ver. Há uma energia magnata nisso: a energia vibracional. Quando estamos trabalhando em prol de um objetivo maior e assim nos submetemos a uma disciplina; entramos numa sintonia de produtividade. O magnetismo alcançado será gratificante por si só. A adrenalina do esforço proporcionará o próprio bem-estar. E da mesma maneira, quando estramos num nível de autodisplicência, desleixo e insatisfação; exalamos e recebemos a mesma energia de decadência e estagnação. A famosa lei da atração se embasa nisso. Fisicamente constatando: toda ação possui uma reação de igual intensidade.

Estou cercada de pessoas que vivem a vida que não gostariam de viver. E a vivem sem perceber. Sem conseguir encarar a infelicidade que propriamente mantém. E não, eu não quero ser uma delas. Ninguém quer, mas querer – unicamente – não muda nada.

Não quero usar o estoicismo de viver um hoje infeliz em razão de um amanhã promissório. Essa infelicidade só atrai infelicidade. Só esgota. Só nos lança à podridão e a corrosão do descontentamento.

O facebook é a principal alienação de nossa atualidade. Sua alta possibilidade de entretenimento consome um tempo vital de nosso cotidiano. Pessoas, em sua grande maioria, estão ligadas o tempo todo no mundo virtual: durante o trabalho, durante a aula, durante o lazer, durante o tempo livre. Elas não conseguem se conectar à vida real pois estão o tempo inteiro no mundo virtual. Pessoas, em sua grande maioria, reclamam de sua plena insatisfação perante a realidade, mas em vez de esforçarem-se para reverter sua situação vivencial, escondem-se na aconchegante fantasia virtual: estão lá no feeding de notícias assistindo à vida alheia, estão lá tirando fotos e narrando a ordinária existência para conseguirem, apenas assim, sentir-se importante. A ilusão de um Era. A arapuca de uma Era.

O facebook me ocupa um tempo preciso. Mesmo tentando ponderar isso, acabo perdendo o controle. Sim, acabo. O facebook me impulsiona à necessidades de egos: publicar fotos, postar acontecimentos de meu dia-a-dia. Não que isso seja ruim em determinado grau, mas para mim tornou-se obsoleto e até pernicioso. Fora a exposição de minha vida íntima à pessoas que não passam de conhecidos, sendo que muitas delas só me mantém hostilidade.

Para mim a parte positiva foi soterrada pela negativa. Estou intoxicada de facebook. Estou intoxicada de artificialidade.

Apenas conseguirei usufruir saudavelmente da praticidade da vida virtual quando conseguir resolver a complexidade de minha vida real.

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