Ano do Cavalo

Sei que pessoas queridas me acompanham através deste blog.

Encontro-me num momento vivencial que necessita de uma direcionada clausura. O maior mérito de meu presente é também a minha maior crise: a constatações de meus limites. Ou melhor: a transposições de meus limites. Nietzsche com maestria formulou a “Lei do Eterno Retorno”. É esta concepção que abordo. A mera consciência de meus freios e carmas nunca ultrapassou suas beiras mentais. A conscientização é descabida de qualquer transformação. Ela é o gatilho, não o tiro. É a semente, não o plantio. Mas ação também é perdição se não sedimentada. Mais do que a ação é necessário estruturação: o garimpar da vontade através da prática. Não basta só podar, ou de nada significa a poda: cortando o galho arredio coisa alguma restará em seu lugar. Só o tempo possibilitará um novo broto, e este se negligenciado, se não cuidado, não direcionado; resultará na repetição do insatisfatório.

Chegar a uma nova cidade fora a repetição de um ciclo. Pude claramente enxergar que minha continuidade é um começo, não um meio. Toda a experiência vivida, todas as crises travadas, as necessidades acobertadas; nada ou tudo isso tem qualquer serventia perante o novo dia. É preciso fazer tudo de novo, viver tudo de novo, aprender tudo de novo. Recomeçamos sobre o limiar da ingenuidade de uma criança com o cansaço de um ancião. O instintivo com o programado. O impulsivo com o dosado. O sentido com pensado. A erupção de ser com a ordem de viver.

Travo uma árdua batalha com esta reconstituição. São varias fases. Primeiro foi o confronto, o questionamento. Depois foi o corte, a mutilação. Agora é a geminação, a recriação. Esta me é a etapa mais difícil, talvez, para muitos também seja. É o momento da disciplina, da persistência, da paciência. Meu solo hoje são raízes debaixo da terra. Sinto-me desamparada neste nada, desgarrada nesta imensidão, neste vazio. Não dá vontade às vezes de ficar, de lavrar. Dá vontade de sair correndo e procurar um campo já feito! Cheio de árvores e sombras. Mas nada disse seria meu. Seria entretenimento, não colheita. Seria distração, não produção. Hoje a minha aridez é a única autenticidade que me resta. A única realidade que me pertence. Hoje meu maior desafio é sustentar o pesar da veracidade e soltar-me à pluma da ilusão.

Não é fácil. Não é… Por isso qualquer meio tempo se torna insuficiente. Qualquer muito parece pouco. Qualquer pouco parece já muito… Preciso encontrar um jeito. Uma programação, uma formulação. Ainda não encontrei. Ainda estou tateando a procura de ferramentas que possibilitem este cultivo. Preciso de muito foco. Muita paz. Pois meu interior é um furacão.

Só forças de iguais intensidades e sentidos contrários conseguem se anular.

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