O primeiro blog

Acabei de excluir o antigo “Meu Efeito Borboleta”, o qual arquivava meus textos de 2006 a 2012.

A mudança de blog em 2012 se decorreu pela falta de espaço. Mas acabou me sendo muito interessante esta divisão. Antes de deletar o blog salvei todo o conteúdo, e isso foi uma notável experiência. Naturalmente, não lembrava da grande maioria de meus antigos posts. Estes registros acompanharam uma vital época de minha vida: o final da adolescência e o ingresso à vida adulta. São textos que escrevi semanalmente de meus 18 aos 24 anos. A cada ano a minha escrita em todas suas particularidades foi mudando, transformando-se. Meus textos no antigo blog possuem claramente a divisão: de 2006 a 2009 e após isso. Eu não me reconheço em meus textos iniciais, que na verdade, nem podem ser chamados de textos. Obviamente e saudavelmente, a mulher que sou hoje não é a adolescente que fui ontem. E há várias complexidades nisso. A maior delas é que a constituição é à parte do constituído. Nossas raízes, nosso passado, são particularidades de nosso ser apenas, e o natural é que isto tenha sido transmutado. Madurado. Como semente que virou árvore. Como barro que virou vaso. A matéria prima deixa de ser a origem para transformar-se em originado. Eu adulta não sou eu adolescente. Meus textos antigos fazem parte de minha menina, não de minha mulher. A minha menina foi o que possibilitou a existência de minha mulher, e deixou de existir para dar lugar à ela.

Assim, o registro escrito destes meus últimos 8 anos através destes dois blogs é algo incrível. Além de averiguar o meu amadurecimento, pude claramente constatar minhas imaturidades, meus vícios, minhas prisões. A vida se repete muito, beneficamente e maleficamente. Mas obviamente nosso desafio é lhe dar com nossos vícios. E a armadilha é que estes são acobertados pelo cotidiano e o seu passar. Nestes últimos dias, relendo a minha história durante quase uma década, pude claramente constatar meus avanços e minhas atrofias.

Decidi deletar o antigo blog por considerar desnecessário e até inoportuno este continuar online. Como expressei, seu conteúdo me é algo de grande valia, mas hoje é algo íntimo. Não o vejo como material de exposição. É o meu passado da maneira mais confessional o possível. Hoje a minha forma de contar-me através da escrita é totalmente diferente do que antes. Não considero os meus atuais textos com caráter confessional. As intimidades por mim narradas são apenas ganchos para uma conotação social do assunto. Naturalmente, minhas necessidades adolescentes eram totalmente outras.

O que também pretendo fazer é separar os melhores textos e republicá-los no blog atual. Estou estudando juntar o blog com o portfólio, talvez unifique os antigos arquivos neste momento.

Enfim, somos seres ainda muito instintivos, estamos altamente presos ao inconsciente e o inconsciente possui sentido altamente figurado. O efeito da ritualística está aí. Finalizar este blog é uma transcendência. Uma releitura, um término, um recomeço.

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