Autópsia

Estou triste, triste
Nunca estive tão triste
Estou só, comigo
Nunca estive tão só comigo
Estou perdida, perturbada, amarrotada
Rasgada
Olhe só, toda essa sujeira
Fui eu quem fiz.
Poderia ter continuado inteira, mas não
Decidi abrir-me
E precisei corta-me
E no ímpeto que sou
Não pensei no depois do após
Agora não dá pra fechar
Agora não dá pra voltar
É como papel amassado
Vidro quebrado
Pele cortada
Eu tô costurando
E doí, doí, doí
Costurar é furar
Eu tô com medo
Eu tô aqui esparramada
Amputada
Vasculhada
Derramada
E sinto-me vulnerável
Impossibilitada
Precisava de uma verdade
Para isso busquei mentiras
Desconheço os incautos
As formas
Antes estava tudo modelado
Mesmo que errado
Agora tem carne, sangue e ossos
E um canseira que às vezes
Cega
E doí, dói, dói
É escuro por dentro.

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