Alquimia Diária

Sinto que o interno seja a única ponte para o externo. Quando tudo está bagunçado o suficiente e eu não sei por onde começar, ou o que fazer, vou lá guardar as roupas jogadas pelo quarto. Venho aqui escrever um pouco.

Harmonia é bem estar. E bem estar é um hábito. E hábito surge da prática. Neste último ano minha maior dificuldade fora esta. Foram tantas mudanças que me mudei de mim. É uma linha tênue entre o maléfico e o beneficio. Ou apenas um complexo. Foram tantas reavaliações, tantas mutações, demolições; que ainda não consegui reconstituir-me. Minhas mãos nunca estiveram tão longe. Nunca demorou tanto para um passo ultrapassar o outro. Sinto-me imóvel. Ou arrastada.

Mas, acredito ou tento acreditar que estou no chão reedificando meus alicerces, que há tanto tempo eram podres.

A melhor ação deste ano foi começar a estudar na biblioteca. Sempre tive esta mania, mas recentemente a resgatei. Até porque meu objetivo antigo demandava outro espaço de estudo. Há uma energia etérea nestas bibliotecas. Isso se explica por si só; as pessoas falando baixinho, todas concentradas em suas leituras, buscando e obtendo conhecimento. É um ambiente de bem-estar. E a municipal de Curitiba fica no meio do agitado e hostil centro. Isso torna muito perceptível esta alquimia entre os espaços. Quando criança meu pai sempre dizia que estudar em casa não dava certo. A gente se desconcentra muito fácil dizia ele. Talvez foi daí que absorvi tal atividade. Agora aprendi o macete de intercalar o estudo com a leitura de jornais e revistas. Fica bem mais agradável assim. A maioria das pessoas que frequentam a biblioteca a frequentam todos os dias. Há um senhor em especial que criou empatia comigo, uma vez em outra ele passa em minha mesa, estende uma revista diante a mim e diz: “- Já leu essa?”. Encantador.

No estudo da ordem esotérica “Iluminate the Thanatero”, Liber MMM, há uma passagem que diz muito:

“O mero ato de querer é raramente efetivo, quando a vontade torna-se envolvida em um diálogo com a mente. Isso dilui a habilidade mágica de muitas maneiras. A vontade torna-se parte do complexo do ego; a mente torna-se ansiosa das falhas; a vontade de não desempenhar o desejo surge para reduzir o medo de falhar. Logo, o desejo original é uma massa de idéias conflitantes. Freqüentemente, o desejado resultado surge, apenas, quando ele é esquecido.”

Creio que a significância sobre o desejo visado apenas vingar quando esquecido, seja a questão dos meios e fins. Acho que o processo se constitui na seguinte ordem: definição – planejamento – seguimento. O objetivo em si aparece apenas na primeira etapa a qual o estabelece. A estruturação vem a partir do primeiro passo, e daí tudo se torna meio, à milhas do fim. A comparação do veículo com o destino é que causa a deficiência. A semente nada se parece com a árvore. A ansiedade só desanima e enfraquece. Por isso o foco no agora, no fazer, e não no futuro; no querer.

A dificuldade é tanta porque o sonho é enorme. Quem quer chegar longe vai ter que caminhar muito. E procurar é se perder. A gente só encontra perdendo. Não existe a parte boa e a parte ruim. Existe a dualidade que fecunda a criação. Mas do que nunca sei que não, não; não será fácil, não será doce e nem leve. Será também difícil, pesado e amargo. Não creio na superação através da fuga, mas exatamente pelo contrário. Por isso a tão necessária conscientização da dificuldade. É preciso criar luz própria para os tempos de escuridão. Algo me diz que esta vem dos olhos. Sinto que o interno seja a única ponte para o externo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s