Ânsia

Estou correndo entre folhas
Meus olhos se adaptaram à noite
Tateio um caminho entre a mata fechada
Essa imagem tatua-me os olhos
O chão forrado de folhas secas quebradas pelos meus passos
Não há ninguém aqui
Procuro uma clareira
Preciso de um alívio
Meus olhos se adaptaram à noite
E eu não vejo nada
Eu te ouço num outro plano
Um lugar distante e ameno
E te chamo
Mas tua paz não condiz com a minha tormenta
Tua beleza com o meu desastre
Teu ser não reconhece o meu
Teu corpo não me oferece abrigo
Minha carne é viva e tuas plumas ferem
Meu vazio é tanto que qualquer grão é um deserto
Qualquer sopro um estrondo
Meus olhos se adaptaram à noite
Não vendo o externo só me restou o interno
E eu não vejo nada.

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