Um quadro

As pessoas são engraçadas ele disse
Nós ou os outros?
Minhas palavras afobadas esbarravam-se em teus olhos
Ele não precisava dizer nada
Teu silêncio penetrava-me os ouvidos
E trovoava por dentro.

Aquela cena borrava aquele fim de tarde inacabado
Aquilo era uma dissonância, uma incoerência, estridência
O que eu estava fazendo? O que eu estava lhe dizendo?
Somos dois desconhecidos discutindo uma relação inexistente
Minha cultura é diferente ele disse
Minha agonia deixou de ser a queixa
Sua incompreensão me despia, secava-me
Minhas palavras lhe são um dialeto estranho
Meus motivo uma realidade distinta
Talvez as pessoas não sejam engraçadas, apenas indecifradas.

Meus olhos não são claros como os teus,
O externo me é uma conjuntura impenetrável
Preciso ir à fundo para conseguir ver
Minha visão não é otimista como a tua
A probabilidade me dói.

Você vai para onde ele disse
Por ali
Eu também
E partimos para o meio da multidão e suas possibilidades.

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