Ano de Novo

Não existe nenhuma época tão coletivamente significativa como esta: a última semana do ano. A passagem do tempo se concretiza nestes dias. Inevitavelmente paramos para analisar o ano que se passou e idealizar o ano que virá. Mesmo os mais niilistas não conseguem ignorar o estrondo da última página do calendário virando. É um ciclo terminando. Somos animais, a ritualística é uma necessidade do inconsciente, do instintivo que ainda nos permeia. O tempo surge aí, para nos amparar neste todo chamado vida. É como o poeta diz: “genialidade esta ideia de cortar o tempo em fatia. Renovando os dias a gente se renova.”

Neste mês andei conversando, por acaso, com várias pessoas sobre isso; suas análises sobre este ano e suas expectativas para o próximo. Em todos os casos me deparei com uma grandiosa frustração. Grandiosa porque não se trata de resultados que não foram atingidos, mas de esforços que não foram executados. “Queria ter estudado à noite / Queria ter feito exercícios com frequência / Queria ter começado a dançar / Queria ter me empenhado mais…”.

Bem, eu também queria. A gente sempre acaba achando uma justificativa para nossas faltas. Foi um ano difícil, foi um ano corrido, foi um ano perdido. Ouvi principalmente isso várias vezes: “Foi um ano perdido”. Nada é tão triste como um tempo perdido. Triste porque só é perdido se assim é nomeado. O poder de um rótulo é o poder da criação. Acho válido e vital a consciência do pejorativo, independente do que este possa ser: um erro, uma fatalidade, uma procrastinação. Mas a máxima é o redirecionamento. É impossível resolver sem problematizar. O negativo existe para isso: revelar o problema. Só assim pode-se enxergar a solução. Assim, é inexistente um tempo perdido. O tempo se passou, se este não foi nada daquilo que gostaríamos, agora podemos fazer diferente. A questão é romper o contínuo, porque o que se passou é quase sempre o que virá. Mudar é o maior desafio do humano, principalmente em aspectos internos, auto-dependentes, isso costuma ser quase impossível pela viciosidade do costume. Um ano novo costuma ser um ano a mais, apenas.

Se existe uma época ideal para mudanças é agora. Uma folha em branca se estende pela frente, na nossa mente. Podemos fazer tudo diferente. Podemos. E se não der certo, a gente faz de novo. E de novo. E de novo. Viver é isso. É ser de novo para sempre. O presente é sempre um recomeço. A frustração é achar que o amanhã será uma conclusão; não existe conclusão. Apenas extensão. O amanhã existe para se tornar o hoje e só cabe ao indivíduo a escolha e a manutenção desta continuidade. Escolha o seu destino, seja o seu destino. Se der errado, o tempo está aí para fazermos dar certo. De novo.

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