Cê tá com pressa demais menina

Sábado, meio-dia, a campainha toca. Eu tinha acabado de acordar, e ainda não tinha tomado um gole de café. Estava sonâmbula. A Karenin começa a latir loucamente. O sol estridente me era um soco nos olhos bêbados de sono, mas consigo ver um senhor de idade em meu portão com uma mochila na mão.

– Olá.
– Bom dia menina! Quer… (Não entendo, mas percebo está vendendo algo).
– Não, obrigada! – E vou saindo.
– Mas eu nem falei o que estou vendendo!
– Desculpe, pode falar.
– Cê tá com pressa demais menina!
– Desculpe, pode falar.
– Não, não dá falar nada com quem tá com pressa. Não ouvem! – E se vai.

Acordei. E me senti a pior pessoa do mundo. Um senhor de pele enrugada e passos lentos andando em casa em casa ao sol do meio-dia vendendo algo. Independente do que tenha em sua pesada mochila, deveria ser o bem mais valioso do mundo para ele. E eu se quer quis saber o que era.

Em nossa corrida diária atrás de nós mesmos o redor desaparece num embaço.

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