Cárcere

Formaste um campo minado
Com os cacos do teu passado
No quarto, na sala, na varanda
Na calçada que já não caminhas
Colocaste telas nas suas janelas
Levantaste muros
Cercaste teu ser
Com o mais duro futuro
Ataste à atemporalidade
Onde tudo se foi ou será
Emparedaste querida
Não consigo respirar aqui
Não consigo estancar aqui
Com tantos estilhaços.

Meu cansaço é muito
Meu tempo é pouco
Minha certeza aos 40
É a mesma que aos 20
Se eu largasse tudo
Seria feliz
Este lugar
Este cotidiano
Feitos de cimento
Meus olhos de água
Nesta alta muralha
Não veem horizontes
O mundo é tão grande
Sinto-me tão pequena
Um grão de areia
Perdido na praia
Isolado do mar.

Sua necessidade de segurança
Sua guilhotina de liberdade
Seu carro, salto alto, poupança
Há um barulho de folha seca
Engasgado na garganta
Querida, onde está a minha vida?
Não aqui.
Não aqui.

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