Onde estamos

Na sua selvageria infantil você me ensinou como ser de diversas maneiras uma mesma coisa. A loucura que em ti parasitava era noturna, mas a sua noite era o buraco que habitava, à milhas do dia que não enxergava. Seu sofrimento precisava de máscaras e máscaras para ocultar-se. Mas sempre transbordava pelos olhos, afundando tudo. E todos. Na minha consciência primitiva, eu não conseguia distinguir o que você era do que fizeram contigo. Mas eu já possuía o inerente julgamento humano e te acusava: Por que entregou a sua vida? Por quê?! Hoje eu sei. Porque a me dera.

A criança que fui me faz ser no limiar do inconsciente. É à noite, quando revivo o passado e acordo sob o temporal da atemporalidade; naquele fragmento de segundos perdido entre rastros de realidades; quando não sei quem sou, onde estou, onde está. Onde estamos. E logo depois do após, quando acalmo e adormeço a minha menina, distingo os incautos. Não somos quem fomos, mas quem fomos somos nós. Para sempre. Cabe a nós a definição, a transição. Iremos sempre acordar no meio da noite com os berros do passado. Mas através de quem nos tornamos, conseguimos silenciar os nossos restos e restos e restos…

Você me ensinou como ser de diversas maneiras uma mesma coisa.

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