Baleias Encalhadas

Parei num posto à beira de estrada. Ao entrar avisto uma praia aos fundos. Vou até lá. Ao me aproximar avisto inúmeras baleias azuis, encalhadas na margem. Elas formavam um paredão na frente do mar e ondas gigantes vinham por trás. As pessoas corriam, temendo o tsunami. No meio disso, surgimos nós. Brigávamos como costumávamos brigar. Você chorava e gritava, chorava e gritava, num sofrimento febril que sem consolo, só tinha acusações como escudo. Você me culpava e desabava, me culpava e desabava. E às lagrimas naufragavam tudo.

Eu já estava sozinha na praia. E no lugar das baleias imensas, estavam seus filhotes. Pequenos, frágeis. Vivos. Eu mergulho no mar e nado com eles, num momento de alegria rara. Eram aquelas baleias condenadas que os tinham deixado ali? Era minha mente afogada que me flutuava ali? Eu não sabia. Nadava em águas mornas como em um útero. Sabendo renascer.

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