Sem Sorte

Muitas vezes a esperança soterra a lógica. É mais fácil. Acreditar que dará certo porque tem que dar. Porque pode dar. A lógica avisa que também pode dar errado. Principalmente se as condições não forem favoráveis. Mas a esperança, ou o desespero, não ouve o que não quer ouvir. Ou não consegue.

Nestes três anos prestando vestibular era lógico que eu não passaria. Nos primeiros dois anos porque não estudei, neste ano porque apostei muito alto. Com apenas um ano débil de estudo tentei prestar um dos cursos mais concorridos. Psicologia. A razão tentava alertar, mas não conseguia. Mirei uma pequenina fresta no meio do muro, ignorando toda a imensidão que me bloqueava.

A dor maior vem da frustração. Tentar algo difícil não é o problema, se há consciência da dificuldade. Se eu realmente quisesse seguir este caminho, precisava me preparar para a certeira possibilidade de não passar neste ano. Mas não, não me preparei. Muito pelo contrário. Contei cada segundo para que o vestibular chegasse e desta situação eu me livrasse. O desespero era muito, e cegava.

Estou machucada. Fraca. Exausta de nadar contra uma correnteza que só me arrasta. Sinto-me estagnada. Andando em círculos. Fiz da sorte meu norte. Inútil sorte.

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