O dia que eu não coube mais em você

Perdi alguma leveza penso. Foram estes anos pesados. Talvez aquela habilidade em te fazer rir. A gente ali em qualquer canto, em qualquer cidade, em qualquer idade; transformando dor em comédia. Perdi aquele discurso que te confortava, aliviava. Agora minhas palavras colidem, agridem. Enraivecem. Eu mudei tanto assim? Ou foi você que mudou? A sua vida que amargurou? Penso também que foi a minha intimidade que lhe virou maldade. Você queria fugir de si, inevitavelmente, fugiu de mim. Sua melhor amiga. Foi se afastando em silêncio, quase sem querer. Assim sem olhar pra trás, sem perceber. Foi só indo. Indo. E me deixando. Ninguém é insubstituível. Talvez o seu novo parceiro te complete totalmente. Mas o pior é que não foi só abandono, foi degradação e negação. Disse com todas as palavras que eu não te convinha mais. Não te acrescentava mais. Eu, não mais te servia. Eu tentei ser racional, achar que o problema não era eu, mas você, um momento difícil, um punhado de loucura… Mas não. Não depende já de mim. Porque você determinou assim. Verbalizou assim. Palavras tão afiadas e fundas. Que rasgam e dividem.

Você foi a maior decepção de minha vida eu disse. Eu digo. Hoje eu sinto uma mescla de pena e náusea por você. E sentir isso me arrebenta. A partir de hoje, a partir do seu fim, eu não acredito mais em ninguém. Talvez eu precisasse desse endurecimento. Desse convencimento que nada é perene. Tudo se vai e silencia.

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