Dream is Destiny

 

Meu pai nasceu em uma família extremamente pobre, cresceu no sítio onde os pais trabalhavam no meio de uma dúzia de irmãos. Quando adolescente, após a morte da mãe, fez um esforço enorme e foi para a cidade pedir moradia a parentes, por iniciativa própria mesmo, sem convite e muito menos receptividade. Teve que trabalhar para estes familiares em troca de teto, foi expulso e mudou de casa várias vezes passando por todas as humilhações possíveis. Até hoje ele se emociona profundamente lembrando-se disso. Creio que este tamanho desamparo tornou-se a sua fonte de força. Seu instinto de sobrevivência. Conseguiu estudar, passou em um concurso, guardou quase todo o dinheiro que ganhava e pediu demissão para fazer cursinho e poder se dedicar exclusivamente ao seu grande sonho: ser engenheiro civil. Logo quando se formou começou a trabalhar fazendo projetos, primeiro abriu um escritório e depois uma empresa onde alcançou muito sucesso.

Meu pai é um exemplo que foi contra a corrente, principalmente perante a nossa realidade socioeconômica, a qual proporciona densa estratificação social; onde o normal é o rico continuar rico pelo patrimônio da família e as oportunidades financiadas por este, e o pobre, limitado por um baixíssimo salário e sem assistencialismos, continuar pobre. É claro, casos como de meu pai existem aos montes, mas ainda assim são a minoria. E por que são a minoria? Tirando exemplos fatídicos de limitações externas, o que inviabiliza mesmo os nossos sonhos são as limitações internas. Explorei bastante a questão financeira pois esta é a primeira amarra justificada, mas muitos objetivos não dependem em primeiro plano de dinheiro, mas sim de planejamento, dedicação e persistência; são estes os grandes requisitos para qualquer grande conquista. E principalmente: o amanhã é consequência do hoje. Colhemos o que plantamos. É esta a lógica do tempo. E da vida. Uma amiga há pouco me disse uma frase que muito me entristeceu: “Eu não espero mais nada da vida“. Disse isso pela frustração em relação aos seus projetos pessoais paralisados e a estagnação que seus anos se tornaram. É muito triste esta desistência, porque se ela não espera mais nada do futuro, não agirá em prol disso, consequentemente, não haverá mudança. Há toda uma questão energética e magnética também em termos mentais e espirituais. A dita Lei da Tração. As circunstâncias podem ser difíceis, mas a sentença final não costuma ser externa.

Muita gente, talvez a maioria, vive a espera do momento ideal para poder direcionar o próprio viver. Só que o momento é transitório; o momento de agora já não existe mais, um instante quando pensado já é outro. Perdemos as rédeas da vida com sua total finitude e fugacidade. Quando percebemos, anos se passaram e nós ficamos. Estamos ainda esperado o melhor momento que já não existe mais, pois o tempo é espiral e contínuo, plena transformação. O futuro é a máxima consequência de como vivemos o hoje. Nosso destino é consequência de nossas escolhas, desejos e desistências. Sobre as fatalidades, obviamente, nem todo querer é poder, mas todo poder precisou de um querer. Todo grande destino nasceu de um grande sonho.

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