On my Own

Domingo, 21:30. Saio de casa. Ruas vazias. -15 graus. Silêncio. Estou indo a um pub no centro onde rola “open mic” aos domingos. Sozinha. Preciso fazer isso. Começar de algum jeito. Ainda não tenho repertório longo o bastante para tocar na rua. Open mic parece uma opção boa agora, algumas músicas apenas, ganhar experiência no palco. Sim. Estou nervosa. Por tudo. Por estar sozinha. Pelo palco que irei encarar. Mas ao mesmo tempo um ímpeto me invade. Durante todo o tempo aqui sinto esse duelo de energias dentro de mim. Entusiasmo. Insegurança. E creio que um seja a origem do outro.

Saio do metro. Estou no centro da cidade. Aquele centro feito de prédios altos, comércio e bares. Mas mesmo este perde a sua euforia aos domingos de inverno, ganhando um semblante de abandono sob o véu de neve que caí. Acho bonito isso. A rua onde estou é só de pubs. Chego ao meu destino. Entro. Lugar pequeno, aconchegante, com aquele bar central com um balcão grande em volta, algumas mesas e um pequeno palco. Paredes decoradas com quadros de bandas de rock. Há poucas pessoas. Todas em grupos. Pego uma cadeira em uma mesa para dois, penduro os meus casacos e vou até o palco colocar o meu nome na lista. Pego um “paint” de chopp da casa, um stout de cacau, o meu preferido. Sento. Puta lugar legal. Sorte ter ido.

Esse é o meu segundo open mic em Montreal. No primeiro não tive coragem de subir no palco, mas foi muito bom. Acho esse lance incrível. É tipo um show de talentos. Super interessante. E uma energia muito boa. A pessoa sobe no palco apenas querendo compartilhar a sua música, dar o seu melhor, todo mundo nervoso, no mesmo barco. Lindo isso. E surpreendente. Melhor programa. No meio da noite chega um cara sozinho e pede licença para se sentar ao meu lado. Chama-se Phill. A gente começa a conversar, principalmente sobre música. Cara muito gente fina. Sua abordagem comigo é totalmente amistosa, sem nenhuma malícia ou diferenciação por eu ser mulher e ele homem. Algo que não estou acostumada. Acho isso demais. Começamos a compartilhar aquele momento juntos, comentando sobre as performances, assobiando, dançando. Euforia. Ele começa a fazer a contagem regressiva comigo sobre os músicos que faltam até chegar a minha vez. Apoio. Estou no meu segundo pint. Levemente bêbada. E a minha vez chega.

Queria contar aqui que arrasei, mas não. Errei letra, acorde, melodia, não consegui me soltar. Estava nervosa, insegura, com aquela sensação de: estou fazendo tudo errado. Mas foi. Uma iniciação. Combinei com o Phill de voltarmos semana que vem. Ele quer se apresentar também, e eu espero me apresentar melhor. Nessa semana irei repetir a noite em outros open mics. Até o desafio virar normalidade. Preciso disso. Em todos os sentidos. Sair de casa, ver gente, ouvir música, fazer música.  Preciso fazer isso. On my own.

 

I’m the Highway – Chris Cornell

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